A ACIGAMES, que constamente trabalha de maneira séria e comprometida em prol de um crescimento do cenário de games no Brasil, foi citada em um dos mais respeitados jornais europeus, o Le Monde. Acreditamos que este reconhecimento é uma conquista sobre o trabalho que a Associação vem desenvolvendo desde o início de sua criação.
O texto foi traduzido pela nossa associada Alpha CRC Brasil (empresa especializada em tradução).
| Brasil, o novo eldorado dos games?
O que têm em comum as empresas de jogos eletrônicos Gameloft, Bigpoint e Ubisoft? Todas estão sediadas no Brasil. O país conta com apenas 42 empresas e 560 empregados no setor de jogos eletrônicos (estudo da Abragames, 2008). Entretanto, o rápido crescimento da indústria de games brasileira não para de surpreender o mundo. Segundo estudo da PricewaterhouseCoopers, em 2010 o mercado de games no Brasil movimentou 392 milhões de dólares (274 milhões de euros), ou 0,7% do mercado mundial. Em 2005, esse mercado envolvia apenas 157 milhões de dólares (110 milhões de euros), o que significa uma taxa de crescimento de 20% ao ano. O Brasil, portanto, é o segundo maior mercado da América Latina, atrás apenas do México (604 milhões de euros em 2010) e muito à frente da Argentina (88 milhões no mesmo ano). A região Ásia-Pacífico continuará sendo a área de maior crescimento (previsão de 11,8% até 2015), mas a América Latina ultrapassará a Europa e os Estados Unidos, segundo as previsões da Global Entertainment e da Media Outlook para o período 2011-2015. Aparentemente, trata-se de um cenário ideal para os games. Contudo, esse forte crescimento possui grandes obstáculos à frente. A pirataria é comumente mencionada como o freio principal. Segundo a Entertainment Software Association (ESA), o Brasil divide com a França o topo da lista de países com maior índice de pirataria de games. Em 2009, a empresa brasileira Tectoy lançou o Zeebo, um console de quarta geração que possui tecnologia 3G, possibilitando o download de jogos pagos, considerados mais difíceis de piratear. Além de disponível em outros países da América Latina, o console chegará ao mercado da China ainda este ano. Contudo, o problema parece ser sintoma de uma situação muito mais complexa. James Portnow, diretor do estúdio americano Rainmaker Games, comentou, espantado, o preço proibitivo dos jogos: “Os jogos lançados nos EUA há seis meses são vendidos oficialmente por 250 reais (140 dólares ou 98 euros). Todos os consoles que vi estavam sendo vendidos por um preço uma vez e meia ou até duas vezes maior do que nos Estados Unidos.” De fato, em 2009, os impostos de importação representavam 233% do preço de um jogo. Um valor que 85% da população não pode se dar ao luxo de pagar. Consequentemente, quase 90% dos jogos chegam aos consumidores por vias não oficiais. James Portnow explica: “O mercado pirata vende jogos por valores entre 2,80 e 8,50 dólares (1,96 a 5,95 euros) e oferece serviços melhores. Ouvi histórias de vendedores piratas que dão aos clientes um prazo de alguns dias para trocar os jogos de que não gostarem. É o tipo de serviço que eu adoraria ter nos Estados Unidos.” OS GAMES EM BUSCA DE RECONHECIMENTO Pouco a pouco, os games abrem caminho por entre as esferas acadêmica e artística, mas ainda são vistos com alguma negatividade, e até mesmo certa “patologização”. Em 2008, três jogos foram proibidos de ser comercializados em território brasileiro: o jogo de tiro Counter-Strike, o MMORPG EverQuest, e Bully, do estúdio Rockstar. Ainda que os motivos da proibição de cada um desses títulos tenham sido diferentes, os juízes mencionam sobretudo certa inquietação quanto ao conteúdo violento dos jogos e o potencial efeito sobre os jogadores. No site Gamasutra, um desenvolvedor brasileiro reagiu: “Os games chegam ao Brasil por vias diferentes daquelas do mercado legal. A ‘cultura de games’ é frequentemente vista como uma cultura ‘underground’ e até criminosa.” Para lutar contra essa imagem negativa, a associação ACI Games deu início a um projeto chamado Jogo Justo, que tem por objetivo desconstruir os estereótipos ligados ao mundo dos jogos por meio de debates e conferências. A associação, com o apoio do mercado, tenta alertar o público sobre os impostos extremamente elevados que são aplicados aos games. No fim de maio, as lojas organizaram uma liquidação de jogos para diferentes plataformas a “preço de banana”: 99 dólares (69 euros). A promoção não parece muito atraente, mas, segundo frisa o Jogo Justo, é como se os jogos estivessem sendo distribuídos “de graça”. O consumidor pagou apenas os impostos aplicados ao produto. Paralelamente, os eventos culturais em torno dos games parecem se multiplicar: o BGS, por exemplo, é um dos maiores eventos brasileiros em matéria de games e apresenta, entre outras atrações, desenvolvedores independentes, protótipos e jogos de arte. Conferências, Game Jams, shows e encontros de RPG (BGShow, Game Music Brasil, RPG Con…) atraem dezenas de milhares de visitantes. Um êxito que poderia muito bem favorecer uma sensibilização quanto aos problemas que, apesar do crescimento impressionante, o Brasil enfrenta atualmente. Segundo a PwC, os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) representam uma das principais áreas geográficas de crescimento para as indústrias de mídia e de entretenimento. Até 2015, esses países atingirão um crescimento de 11,7% ao ano, contra 3,9% dos países considerados “maduros” (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Japão). Na opinião de James Portnow, esta é a hora de investir em projetos no Brasil. Mas ele acrescenta: “É um lugar onde se pode perder dinheiro muito facilmente. (…) Pelo menos nos próximos cincos anos, a situação ainda vai continuar parecendo um faroeste. Por outro lado, a indústria pode testar o terreno investindo menos e, se as coisas caminharem bem, investimentos pequenos podem se transformar em somas vultosas num futuro próximo.” Marion Coville |





















